
Filipe. Foi esse o nome que eu e o meu irmão quisemos dar àquele pequeno cágado. Sim, um cágado, não uma tartaruga.
Este grande amigo foi o meu primeiro animal de estimação. Admiro-o desde a pontinha da pata até à pontinha da cabeça. A sua pele é verde, mas não tão verde com a erva, e a sua cabeça é pequena. A carapaça parece um conjunto de pequenos hexágonos e, para além disso, é muito resistente. As suas unhas, compridas e brilhantes, são de fazer inveja a qualquer rapariga . Os seus dentes são pequenos, mas capazes de cortar um dedo humano.
O seu ar sério apenas aparece quando me esqueço de o alimentar, por isso a sua aparência diária é de felicidade.
A lenda de que estes seres são lentos é um mito. Quando o deixo sair do aquário para dar uma volta pelo terraço, parece uma flecha a correr.
Apesar da maior parte das pessoas pensarem que não, Filipe é um bom ouvinte. Tenho conversas com ele que não teria com mais ninguém. Apercebo-me de que é bastante compreensivo.
Mas, como todos os animais, este tem alguns defeitos e o seu é ser orgulhoso. Felizmente, esse mal tem vindo a melhorar.
O aspeto de que eu mais gosto no Filipe é o seu olhar profundo, de olhos verdes e pequenos. Com ele aprendi a escutar o silêncio, com ele aprendi o significado de amizade e, por fim, com ele aprendi a amar um animal.
Mafalda Loureiro; Nº12; 8ºB